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sábado, 30 de março de 2013

'O Rei Leão' estreia em São Paulo e se torna um marco

Sexta, 28 de Março de 2013, 10h44AE
A estreia de "O Rei Leão" nesta quinta à noite, no Teatro Renault, encerra mais uma fase da consolidação dos musicais no Brasil - e em São Paulo, em particular. O espetáculo dirigido e concebido por Julie Taymor traz uma riqueza de detalhes técnicos cuja realização não apenas justifica o alto investimento de produção (R$ 50 milhões) como comprova a qualificação dos profissionais brasileiros.

"É impressionante como tudo acontece perfeitamente sincronizado, sem problemas", observou o ator Saulo Vasconcelos, que acompanhou, na terça-feira, uma apresentação para convidados. Ele faz parte da ''primeira geração'' dos musicais brasileiros, um seleto grupo de intérpretes que ajudaram a formatar o gênero em São Paulo. Vasconcelos, que fez "A Bela e a Fera" (2002) e principalmente "O Fantasma da Ópera" (2005), primeiro megassucesso, estava na plateia formada ainda por outros pioneiros como Marcos Tumura, protagonista de "Les Misérables" (2001), o musical que fincou as fundações nacionais desse tipo de espetáculo; Daniel Boaventura ("A Bela e a Fera", "Chicago", "Evita") e Jonathas Joba ("A Bela" e "Fantasma").

"O Rei Leão" não representa apenas um marco no Brasil - estreou na Broadway em 1997 e, em cartaz até hoje, logo se tornou um estrondoso sucesso, faturando cerca de US$ 4,8 bilhões e batendo nas bilheterias um super peso-pesado, "O Fantasma da Ópera", que está há muito mais tempo na estrada (estreou em 1986). O curioso é que, no início do projeto, temia-se por um grande fracasso. "Fiquei com medo de que a montagem fosse algo como os personagens da Disneylândia, vestidos com a cabeça do Mickey Mouse", lembra Julie Taymor, que veio a São Paulo para acompanhar a estreia nacional.

O desastre foi evitado graças a medidas corajosas tomadas pela diretora. Quando foi convidada por Tom Schumacher (produtor e presidente da Disney Theatrical Productions, a produtora do espetáculo) para adaptar para o palco a animação, em 1996, Julie teve várias ideias que, na época, soavam arrojadas. A primeira e mais essencial era não esconder os atores que interpretariam os animais. "Não queria fazer um musical ao estilo Disney, em que o segredo da fantasia não pode ser revelado", lembrou. "Meu desejo era que a plateia visse o ator manipulando o boneco e criasse sua própria fantasia."

Assim, ela promoveu, no palco, a mistura de elementos de arte e artesanato africano para retratar personagens antropomórficos - ao lado do designer Michael Curry, Julie criou centenas de máscaras e fantoches, que se amoldam ao corpo de cada ator. E, além das canções criadas por Elton John e Tim Rice (traduzidas aqui por Gilberto Gil), o espetáculo possui diversas músicas no idioma zulu.

A história é fiel à trama da animação e conta a trajetória de Simba, pequeno leãozinho filho de Mufasa, que governa a floresta. O nascimento do jovem desperta a ira de Scar, irmão do rei, pois diminuem suas chances de herdar a coroa. Assim, bem ao estilo Hamlet, Scar mata Mufasa e acusa Simba de permitir a morte do pai. O rapaz é obrigado a fugir do reino e amadurece à distância, até chegar o momento de voltar e retomar o poder. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O REI LEÃO
Teatro Renault (Av. Brig. Luís Antônio, 411). Tel. (011) 2846-6060. 4ª a 6ª, 21 h, sáb., 16:30 h e 21 h, dom., 15h30 e 20 h. R$ 50 / R$ 280.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

HBO estreia no próximo domingo a série "(fdp)"

Mais que filho da p**a!"

Quem nunca pronunciou a famosa frase ao acompanhar uma partida de futebol do seu time de coração e ter um lance anulado pelo árbitro? Em cima de um tema tão comum, a HBO lança uma nova série, que estreia no próximo dia 26 de agosto, sobre o nosso querido árbitro com título de seu apelido carinhoso: "(fdp)".

Imagem: HBO / Prodigo Films

A série retrata o movimentado mundo do futebol a partir do ponto de vista de um árbitro. Normalmente odiados e quase sempre alvos de xingamentos da torcida, os árbitros ganham reconhecimento nessa narrativa inovadora. Os episódios de "(fdp)" apresentam o cotidiano, os conflitos éticos, a violência e diversas outras situações envolvendo estes profissionais que lidam com a paixão dos torcedores e estão sempre entre vencedores e vencidos.

Juarez Gomes da Silva, o árbitro, é Eucir de Souza, sujeito que perde a mulher, Manuela (Cynthia Falabella) depois de lhe transmitir doença venérea. E é na disputa pela guarda do filho do casal, Vini (Victor Moretti), que o nosso árbitro exibirá ao espectador os níveis de pressão por que passam os seus pares na vida real. O juiz da Vara de Família que decidirá sobre a guarda do filho é também presidente de um grande clube que disputa a final de um grande campeonato, em partida apitada por Juarez.

Além da guarda do filho, o maior sonho do árbitro é apitar um jogo da Copa do Mundo. Buscando realizar seus objetivos, ele consegue ser escolhido para atuar em um dos jogos da taça Libertadores da América.

O elenco da série conta também com os atores Paulo Tiefenthaler, Saulo Vasconcelos, Fernanda Franceschetto, Domingas Person e Chris Couto. Além disso, alguns episódios contarão com as participações especiais dos jogadores Neymar, Rivelino, Dentinho, Basílio e do jornalista esportivo Juca Kfouri.

A série terá 13 episódios de 30 minutos e conta com direção geral de Adriano Civita, que também é responsável pela direção de alguns dos episódios. Além dele, estão também na direção Katia Lund, Caíto Ortiz e Johnny Araújo. O argumento é de Adriano Civita, Francesco Civita e Giuliano Cedroni e o roteiro de José Roberto Torero e Marcus Aurélio Pimenta. A produção e realização são da produtora Prodigo Films, com fundos de incentivo da Ancine.

"(fdp)"
HBO
Todo domingo, às 20h30.
 

domingo, 19 de agosto de 2012

(Mal) pago para ser xingado

CRISTINA PADIGLIONE -
O Estado de S.Paulo

Profissional cuja mãe ocupa o topo das figuras mais xingadas no mundo todo, independentemente de sua competência, o árbitro de futebol finalmente ganha lugar de protagonista - na ficção, bem entendido. FDP, série cuja sigla quer dizer aquilo mesmo que você está pensando, põe o juiz de futebol no centro da narrativa, sem privá-lo da condição de anti-herói exercida na vida real. Em 13 episódios, o título tem produção da Pródigo Filmes e entra no ar domingo que vem, às 20h30, quatro anos depois do início de sua produção.

Juarez Gomes da Silva, o árbitro, é Eucir de Souza, sujeito que perde a mulher, Manuela (Cynthia Falabella) depois de lhe transmitir doença venérea. E é na disputa pela guarda do filho do casal, Vini (Victor Moretti), que o nosso árbitro exibirá ao espectador os níveis de pressão por que passam os seus pares na vida real. O juiz da Vara de Família que decidirá sobre a guarda do filho é também presidente de um grande clube que disputa a final de um grande campeonato, em partida apitada por Juarez. "Esse personagem, além de ser o anti-herói, é uma figura muito frágil perto daquelas estrelas bem pagas do futebol", diz Giuliano Cedroni, um dos donos da Pródigo, que assina o argumento com os sócios Francesco Civita e Adriano Civita, diretor-geral da série.

O roteiro é de José Roberto Torero. "O árbitro é o cara que pode decidir o destino de um jogador e, no entanto, não recebe estrutura nenhuma para isso", completa Giuliano. Intérprete do bandeirinha Carvalhosa, melhor amigo de Juarez - "para tomar cerveja", avisa o personagem: "se quiser colo, chama a mamãe" -, o ator Paulo Tiefenthaler ficou impressionado com o cachê pago a um árbitro no Brasil. O elenco todo passou por laboratório real antes e durante as filmagens. "Para apitar um jogo de Brasileirão, eles ganham em torno de R$ 300. Se for uma final, chega a 800."

Segundo Tiefenthaler, "só quem está no campo tem noção de como a acústica dos estádios é boa". "Você escuta tudo de lá, todos os palavrões." O elenco conta ainda com Maria Cecília Audi, a protagonista indireta da série, ou seja, a mãe do juiz, Adian Verdaguer, no papel de Guzmán, seu namorado, Saulo Vasconcelos, que completa o trio de arbitragem, e Gustavo Machado, o namorado da ex-mulher de Juarez. As participações especiais formam um cast à parte, com gente muito mais conhecida que o próprio elenco central, todos em papéis distintos da vida real. Neymar, por exemplo, é apresentado como "o garoto do filtro". Rivellino entra em cena como um padre e Juca Kfouri, como jornaleiro. Isadora Ibeiro encena a "maria chuteira", Rincón faz o ex-jogador em programa de mesa redonda, Dentinho vira repórter e Júlio César, torcedor.

Só o fotógrafo J. R. Duran aparece como ele mesmo. Custo. Orçada em R$ 9,12 milhões, a série cria nomes genéricos de time de futebol. Pauliceia, por exemplo, é time com camisa muito similar à do São Paulo, e de fato a equipe gravou parte de uma torcida real em jogo do São Paulo. "Usar times de verdade não caberia no nosso orçamento, isso implicaria uma série de direitos que a gente não poderia pagar", conta. A Red Bull, sim, ganha exposição na camisa do time em foco durante uma das partidas, mas em troca da ajuda dada à equipe da Pródigo na escalação de atletas para cenas fictícias.

Segundo Giuliano Cedroni, a HBO procurava, há quatro anos, uma série sobre futebol entre todos os países latinos. "Apresentamos esse argumento do árbitro e eles acharam muito original", conta. "Mas produzir ficção sobre futebol é muito difícil", cita, da locação de estádios à figuração necessária a algumas imagens de torcida. Vem de lá, afinal, o xingamento em coro que justifica o título da série. Verba de incentivo. Dos quatro anos consumidos na produção de FDP, no entanto, nem tudo foi em função de filmagens.

As gravações foram interrompidas por 11 meses, até que o contrato de coprodução com a HBO fosse abençoado pela Ancine, Agência Nacional de Cinema, que liberou os recursos para a realização do programa. É que foi bem durante o período de produção de FDP que a Ancine resolveu rediscutir o modelo de sociedade entre canais internacionais e produtoras independentes brasileiras em projetos avalizados com verba pública. Desde então, os estrangeiros devem ser minoritários nessa parceria, cabendo às produtoras o papel majoritário. A condição faz diferença especialmente na hora de exportar o produto.

FDP será exibida simultaneamente ao Brasil em toda a América Latina, pela HBO, que também já garantiu usa exibição em seus canais nos Estados Unidos e na Polônia. E, convenhamos, o universo do futebol, às vésperas de uma Copa do Mundo no Brasil, conspira muito a favor de sua venda no exterior. "Estamos cruzando os dedos", torce Adriano Civita.